Era um sábado sem nenhuma novidade. Acordamos, fizemos amor, tomamos um banho e fomos para a sala. Ela arrumava algumas coisas enquanto eu fui à padaria buscar o café da manhã. Pães, requeijão, leite, suco e alguma guloseima que, além do café, serviria de tiragosto para ela durante a tarde.
Voltei, comemos, sentamos no sofá e começamos a assistir TV. Não me recordo por que começamos a discutir. Mais uma discussão sem sentido, desenterrando os esqueletos de antigos erros e pecados e trazendo-os à luz do dia. Já nem fazia sentido discutir aqueles assuntos, estavam em decomposição... por eles eu já tinha pedido desculpas e corrigido meu comportamento e hoje, sinceramente, nem sei onde havia errado. O fato é que era mais fácil assumir o erro e me conformar que havia errado do que discutir com ela.
Odiava discutir com ela.
Eram horas de angústia e sofrimento, um carrossel emocional. Ela gritando e eu mudo. Ela me provocava para ver se eu reagia. E quando eu reagia, já estava completamente tomado pela cólera. Dissemos coisas horríveis um para o outro e simplesmente saí do apartamento. Ouvi ela gritar:
-DESGRAÇADO !
Voltei, dissemos mais umas barbaridades um ao outro e desci as escadas rumo à minha casa. Assim que saí do prédio, no jardim que recebia os visitantes e moradores, eu lutava com meus olhos para não chorar. Saí magoado, triste, deprimido, pensando em nunca mais voltar.
Ouvi a porta atrás de mim abrindo enquanto eu já descia os degraus que me levavam à rua. Ouvi um grito embargado por um choro magoado:
- AMOR...
Quando me virei, já não mais segurava o choro. Então a vi, descalça e ainda de pijamas, olhos vermelhos e a tristeza estampada em seu rosto. Corri, e corri, e corri, querendo apenas abraçá-la.
- Não me manda mais embora... - foi a única coisa que consegui dizer enquanto chorava.
E subimos novamente para o apartamento 15.
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Nenhum comentário:
Postar um comentário